quarta-feira, 2 de julho de 2008

"A tribo jornalística – uma comunidade interpretativa transnacional"

No livro “Teorias do Jornalismo: a tribo jornalística uma comunidade interpretativa transnacional”, lançado em 2005, ano em que os jornais impressos começaram perder os seus leitores para a Internet. Traquina, tem como principal objetivo de alcançar um nível elevado na compreensão no estudo teórico das práticas jornalísticas.

No periódico, o autor revela o poder do jornalismo e dos jornalistas, seus mitos, sua tribo, suas “estórias”, o fator tempo, enfim, o poder persuasivo que este profissional possui.

Definições, concepções são apenas fórmulas que por meio de palavras, jornalistas tentam explicar o que é noticia. Partindo desse ponto surge a teoria do jornalismo, que reúne idéias que dão base ao conhecimento puramente especulativo e a uma visão a respeito de aspectos da realidade social.

Na construção da noticia é importante destacar a teoria do agendamento fundamental na relação e seleção dos fatos que possam virar noticias. Na concepção do autor “a teoria do agendamento sublinha uma forte mudança no paradigma dominante da teoria dos efeitos dos medias e significa uma redescoberta do poder do jornalismo não só para selecionar os acontecimentos ou temas que são noticiáveis, mas também para enquadra estes acontecimentos e/ ou temas”. Este enquadramento da uma noção de inclusão, integração e limitação do que se quer noticiar, ou seja, uma maneira de se organizar os acontecimentos. Como assegura Tuchman (1976: 94) apud Traquina, “a notícia, através dos seus enquadramentos, oferece definições da realidade social; conta ‘estórias’”.

O contar ‘estórias’ dos jornalistas não fica apenas em desenvolver uma narrativa de ficção, mas uma forma preferencial de se referir às notícias, que por suas vez, são relatos de fatos atuais e de interesse público, mas que não deixam de ser ‘estórias’.

Tudo isso acontece em meio de um campo denominado “campo jornalístico”, no qual se desenvolveu no período do capitalismo durante o século XIX, incluindo, a industrialização, a urbanização e o desenvolvimento tecnológico. A partir de então, o jornalismo passou a ser considerado como uma profissão.

Com o processo de profissionalização do jornalismo, a sociedade e até mesmo os próprios profissionais da área, passaram a exigir mais do seu próprio caráter profissional, ou seja, um profissional mais competente capaz de exercer com valor a sua profissão.

Os jornalistas defendem a independência e a autoridade, como sua ideologia, ideologia que segundo Bourdieu (1996:11) apud Traquina, “cada profissão produz uma ideologia profissional, uma representação mais ou menos idealista e mítica de si mesma”. As suas idéias e convicção são próprias de uma época, época esta que determina o seu modo de pensar e a sua visão perante a sociedade, ou seja, o encontro da sua “identidade profissional”.

Podemos verificar a “identidade profissional” dentro de uma tribo, denominada pelo autor, como: “a tribo jornalística”, na qual, vive uma comunidade que defendem os mesmos propósitos e compartilham os mesmo ideais, como por exemplo, o ato de partilhar as informações, ou noticias. Diante desse ato de dividir as informações, Traquina, apresenta o seguinte pensamento: “Uma das conseqüências de um ‘pensamento de grupo’ comum é aquilo a que se chama ‘jornalismo em pacote’, isto é, os fenômenos freqüentemente observados de uma legião de jornalistas cobrindo a mesma história da mesma maneira”. Além disso, “(...) a nossa hipótese é que os jornalistas são uma comunidade ou tribo interpretativa transnacional, e que a cobertura noticiosa em países diferentes revela semelhanças significativas (...)”.


SER OU NÃO SER JORNALISTA? EIS A QUESTÃO

Foi no século XIX, em uma sociedade democrata, que o jornalismo passou a ser considerado como uma profissão. A partir de então, o profissional desta área – o jornalista – passou a ter um novo objetivo, ou uma nova meta, de levantar, apurar e transmitir noticias e comentários dispostos em diversos veículos e meios de comunicação, como: jornais, revistas e TV. Durante esse mesmo período, os jornais começaram a apresentar uma grande margem de lucro, significando um o aumento na distribuição de seus exemplares, tendo como base às notícias e não as propagandas.

Com o reconhecimento da profissão do jornalista, as notícias, passaram a serem consideradas como mercadorias, ou seja, a comercialização de informações – alvo principal da imprensa. Segundo Traquina essa situação se deu a partir da “(...) constituição de um novo grupo social – os jornalistas – que reivindica um monopólio do saber – o que é notícia; e a comercialização da imprensa – a informação como mercadoria (...)”.
Mas o que venha ser esse “monopólio do saber?” O conhecimento, a compreensão e as técnicas da notícia ficaram restritas e sob controle exclusivo dos jornalistas, ou seja, o fazer notícias ficou de pura e inteira responsabilidades de um profissional especializado na arte de fazer notícia.
A arte de fazer notícia de modo direto e objetivo, sem rodeios, buscando uma compreensão imediata, caracteriza uma das diversas identidades do “que é ser jornalista”. Na verdade esse profissional é caracterizado por infinitos adjetivos no qual se enquadra uma cultura indefinida de valores e rica em conhecimentos sócio, cultural e econômico, “(...) em que é claramente esboçada uma identidade profissional, isto é, um ethos, uma definição da maneira como se dever se (jornalista)/ estar (no jornalismo)”.

Tempo fator e condição em que o jornalista é submetido para produzir a sua notícia, além de ser uma competência que define o seu caráter profissional. É ele que define o fechamento das noticias. Dia, horas e segundos marcam os acontecimentos, no qual, o jornalista deve está sempre atento, isso permite que o mesmo tenha me mãos notícias que são consideradas como “quentes”, em seu meio profissional. “A compreensão do sistema de produção que dá origem às notícias aumenta quando o fator tempo é realçado”. Achlesinger (1993:178) apud Traquina.

Com a capacidade de reconhecer uma notícia, saber como proceder e por fim saber descrevê-la – narrar, os jornalistas possuem um pleno poder de criar e desfazer situações ao mesmo tempo em que lhe é permitido fazer dessas situações um espetáculo midiatico.

Com uma maneira de agir, de falar e de um modo de ver as coisas diferentes, faz do ser jornalista um profissional com um papel fundamental na formação social de uma nação. Servir ao público não é meramente fazer a notícia, mas proteger e denunciar, os inocentes e os injustos, publicar fazendo com que a sociedade esteja a par da situação social do seu país. Portanto, “ser jornalista é saber não só elaborar a notícia: é ter uma perspicácia profissional, possuir uma ‘perspicácia noticiosa’”.

BIBLIOGRÁFIA:
TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo. A tribo jornalística – uma comunidade interpretativa transnacional. Florianópolis: Insular, 2005. 13-60p.

Nenhum comentário: