O SURGIMENTO DO DIÁRIOFundado em 1875, pelo português, Manoel Lopes da Silva Cardoso, que chegou a Bahia depois de ser convidado por familiares que aqui já residiam, optou por criar um jornal de punho altamente noticioso.
Teve o seu primeiro exemplar publicado com a data de 20 de março de 1875, no valor de 60 réis, onde achava-se à venda nos seguintes lugares: Plano Inclinado, Elevador da Conceição, Elevador do Taboão, Encadernação Vicente, Armazém dos Srs. Domingos Antônio da Costa, Loja Fausto, Loja Boa Esperança, Armazém da Fonseca.
Com sede situada à rua Lopes Cardoso, nº 20, trazia como diretor-presidente, Antônio Baletino e seu substituto, Eládio Velloso, o seu redator-principal, Edgard Pitangueira e o seu secretário, Luiz Pereira, gerente, Dário Dultra e o chefe de publicidade, João Magalhães Braga. Sem filiação partidária, em pleno século XIX - época em que a maioria dos jornais apoiava uma política partidária, o Diário de Notícias, mantia-se afastados dos assuntos políticos. Por possuir essa característica de neutralidade na política atraia muitos leitores.
De periodicidade vespertina, o Diário era formado por quatro páginas de excelente conteúdo. Na sua capa, trazia notícias de economia, política e problemas sociais, a página dois era constituída por um rico conteúdo cultural que trazia informações do cinema Hollywoodiano, a evolução dos movimentos teatrais que estavam acontecendo na cidade do Rio de Janeiro naquela época, os horários dos programas de rádio dos Estados Unidos da América – traduzido para o português e transmitidos em ondas curtas, horários dos cultos religiosos além de muitas propagandas publicitárias.
ODORICO TAVARES
Odorico Montenegro Tavares da Silva, nascido em 26 de julho de 1912 na cidade de Timbaúba, Pernambuco. Onde se formou em Direito em 1935, pela Faculdade de Direito de Recife.
Portador de um acentuado lirismo mergulhou na poesia, na literatura e nas artes. Porém, foi pelo jornalismo que se apaixonou.
Sua carreira no jornalismo teve inicio no Diário de Pernambuco, que pertencia ao grupo Diários Associados. Foi diretor da revista literária Momentos, em 1933, juntamente com o jornalista Aderbal Jurema, no qual publicou 26 poemas.
Em 1942, por convite de Assis Chateaubriand – diretor do Diários Associados – veio para a Bahia. Como incentivador das artes, organiza a primeira exposição de arte moderna brasileira na Bahia reunindo obras de artistas como Lasar Segall, José Pancetti, Di Cavalcanti, Tarsila de Amaral e Alfredo Volpi.
Na década de 50, incentivou a criação da Sociedade de Cultura Artísticas da Bahia, no qual deu inicio a comercialização de artes plásticas em Salvador. Além de fundar em 1960, a primeira emissora de televisão da Bahia, a TV Itapoan.
Já em 1967, o governo do Estado institui o Prêmio Odorico Tavares para artistas plásticos em comemoração aos 25 anos de sua permanência na cidade.
Com grande interesse nas artes plásticas, arte sacra e na arte popular, em 1971, é eleito para Academia Baiana de Letras.
Sua trajetória como jornalista e grande incentivador das artes, terminou em 1980, quando sofreu uma parada cardíaca. Odorico Tavares irá permanecer em nossa admiração porque trouxe consigo a predominância de jovens artistas e poetas consagrados para a cultura baiana.
ODORICO TAVARES E O DIÁRIO DE NOTÍCIAS
De propriedade e sob a direção de Altamirando Requião, em 1919, o Diário de Notícias atravessou momentos de grande vibração durante o período da política estadual. Motivo pelo qual uniu-se ao grupo Diários Associados.
Em 1942, com a chegada de Odorico Tavares, a convite de Assis Chateaubriand para dirigir a rede dos Diários Associados da Bahia, o Diário de Notícias passou a ser sob a sua direção. Além do Diário de Notícias faziam parte dos Diários Associados da Bahia o jornal vespertino O Estado da Bahia e a Rádio Sociedade.
Sendo o jornalismo a atividade que mais exige de quem a escolhe, o Diário de Noticias seria o veículo de que se valeriam às energias interiores de Odorico, para a realização de um destino - a troca da advocacia para o jornalismo.
Jornalista que não aceitava a neutralidade entre a liberdade e a opressão, Odorico Tavares, deu ao Diário de Noticias uma nova aparência. De vespertino passou a ser matutino e de pesadão passou a exibir uma leveza.
No momento em que os meios culturais se preocupavam em promover algo de novo, Odorico surpreendeu a imprensa baiana com o aparecimento do Suplemento de Cultura do Diário de Notícias, que editado semanalmente trazia diversos artigos sobre a vida cultural e artística da Bahia, dando destaque para as artes plásticas, no qual conquistará e ganhará mais prestigio dos seus leitores.
A grande parceria de Odorico Tavares e o Diário de Notícias, trouxe aos suplementos dominicais que marcaram época sob a sua direção, a predominância da cultura baiana, sobretudo, para jovens artistas e os grandes poetas consagrados.
Bibliografia:
TAVARES, Luís Guilherme Pontes (Org.). Apontamentos para a História da Imprensa na Bahia. Salvador: Academia de Letras da Bahia; Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, 2005.
ROCHA, Carlos Eduardo da; FILHO, Codofredo; LINS, Wilson; CASTRO, Renato Berbert de. Odorico Tavares. Salvador: Conselho Estadual de Cultura, 1981.
SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1942. Ano LXVII, Jan. 10.
SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1942. Ano LXVII, Mar. 26.
SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1971. Ano XCV, Fev. 09.
SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1971. Ano XCV, Fev. 07.