quinta-feira, 10 de julho de 2008

O QUE IMPORTA MESMO É O AMOR


Quando falamos de amor, vem logo em nossa cabeça a imagem de um casal formado por um homem e uma mulher. No entanto, existem diferentes formas de amar. O amor paternal, maternal, heterossexual, bissexual, homossexual dentre outros. O que importa mesmo é amar.

Em pleno século XXI e, principalmente, em um país onde a população possui uma cultura variada e completamente miscigenada o preconceito ainda predomina, principalmente quando falamos em relacionamentos entre homossexuais. Além do preconceito existente na sociedade, para esses apaixonados o maior obstáculo a ser ultrapassado é a família.

Fatores psicológicos, sociais, culturais e genéticos são determinantes para a manifestação das orientações sexuais, seja ela homossexual, bissexual ou heterossexual. A imagem sexual reflete em um comportamento social, onde cada indivíduo possui caracteres únicos, conforme ao sexo que pertence, porém a sexualidade fala mais alto.

Toda pessoa em fase de formação - da infância a juventude -, recebem valores altamente desquilificados em relação às pessoas com a opção sexual diferente da dela, gerando preconceito e ao mesmo tempo causando um distanciamento daquilo que não somos e tampouco queremos para nós. Se antigamente a homossexualidade era tida como preservação sexual, hoje ficou esclarecida que tanto a homossexualidade e a bissexualidade são manifestações das vontades sexuais e afetivas. Contudo, a quebra desses valores julgados politicamente corretos é classificado como “defeito” de caráter.


Muitos já evoluíram quanto a aceitação de relacionamentos homossexuais. Isso porque a própria luta pela valorização do homossexual, não só no Brasil, como em todo o mundo, já alcançou conquistas consideráveis, como por exemplo, no estado da Califórnia (EUA), os casamentos gays são legalizados e um fator muito importante, eles tem o reconhecimento da sociedade.

Porém, quando o amor estar em jogo ou no meio de todas as dificuldades enfrentadas por estas pessoas que tem uma forma “diferente de amar”, estas por sua vez são capazes de enfrentar qualquer tipo de dificuldade.


Não há nenhuma lei contra o amor, mas o preconceito é mesmo a fonte de todos os problemas que não só impede os relacionamentos homossexuais de se prolongarem e até mesmo de se iniciarem.




Recomendações do GGB de como evitar a violência contra homossexuais:

1. Evite levar desconhecidos ou garotos de programa para casa. Prefira fazer programas em hotéis, motéis ou saunas;
2. Investigue a vida da pessoa com quem pretende sair. Prefira pessoas conhecidas ou indicadas por amigos e só saia com alguém se tiver certeza que é de confiança;
3. Nunca beba líquidos oferecidos pelo parceiro desconhecido. A bebida (ou chiclete) pode conter soníferos, o perigoso "Boa Noite, Cinderela". Em um bar ou boate, preste atenção em seu copo e se precisar ir ao banheiro ou se ausentar, leve o copo consigo, ou, invente uma desculpa e peça outra bebida;
4. Se levar alguém para casa, não o esconda do porteiro ou de vizinhos. Eles podem ajudá-lo na hora do perigo. É sempre bom ter uma boa relação com esse pessoal. Na hora do perigo, eles podem ser solidários;
5. Se for possível, demonstre para seu parceiro eventual que é gay assumido. Isso evita chantagem ou tentativa de extorsão;
6. Não se sinta inferior. Não se mostre indefeso, evite demonstrar passividade, medo, submissão. Não cultive o tipo machão, ou pelo menos não mostre que o valoriza tanto; se ele lhe ameaçar, grite, faça escândalo, ou em último caso, saia correndo e peça socorro aos vizinhos;
7. Evite fazer programa com mais de um michê. Antes da transa, acerte todos os detalhes: preço, duração, preferências eróticas (se ele aceita, por exemplo, ser passivo): isto evita brigas e discussões;
8. Não humilhe o parceiro. Não exiba jóias, riqueza ou símbolos de superioridade que despertem cobiça. O garoto de programa quase sempre é de classe inferior à sua;
9. Se o encontro for na sua casa, tranque a porta e esconda a chave. Não deixe armas, facas e objetos perigosos à vista; não se esqueça que você é dono da casa e deve dominar a situação; diga ao visitante que não faça ruídos pois ao lado mora um policial;
10. Se for agredido, procure a polícia, peça exame de corpo delito e denuncie o caso aos grupos de ativistas homossexuais.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

COOPERATIVA OFERECE OPORTUNIDADES A EX-BADAMEIROS

Cooperativa investe na auto-estima dos ex-badameiros do antigo lixão de Canabrava

Era noite ainda, quando a rotina de Nélia de Jesus dos Santos começava. A cidade preparava-se para dormir, quando aquela mulher deixava a sua casa em Canabrava para coletar papel, latinhas de alumínio e outros materiais recicláveis entre ratos, no antigo Aterro Sanitário de Canabrava. Dali, a ex-badameira tirou seu sustento e de sua filha durante dezenove anos. Hoje, com a criação da Cooperativa Recicláveis de Canabrava (Cooperbrava), não só Nélia como mais 55 ex-badameiros tiveram uma grande mudança na sua vida: eles agora ganham um salário mínimo por mês, além de recuperarem a sua auto-estima.
Desde a sua data de fundação, 21 de julho de 2003, Cooperbrava, ligada ao Centro de Estudos Sócio-ambiental (Pangea), tem investido na auto-estima dos ex-catadores de lixo do antigo Aterro Sanitário de Canabrava – hoje localizado em Simões Filho. Com a colaboração do Governo Federal e Petrobrás, foi implantado na cooperativa o programa de geração de trabalho e renda com o intuito de incentivar novos negócios em empreendimentos coletivos, visando à melhoria social e financeira dos ex-badameiros.

A Cooperbrava possui cerca de 55 cooperados entre mulheres e homens, jovens e adultos que a partir de então, deixaram de inalar o gás metano e trocaram a incerteza de se ter um alimento na mesa e a certeza de se adquirir uma doença por uma remuneração de um salário mínimo por mês, variando com a produção e com o mercado de produtos reciclados.

A cooperativa que há dois anos tem o apoio dos técnicos do Pangea, trabalha em prol do desenvolvimento socioeconômico dos cooperados (ex-catadores). O trabalho que era feito individualmente por cada catador, agora é feito em conjunto. O material que é recolhido pelos carros de coleta seletiva e muitas vezes doado por pessoas e empresas que conhecem o trabalho da Cooperbrava é armazenado em um galpão, onde passa pelo processo de triagem, prensa e armazenamento em grande quantidade e logo depois é vendido para as industrias de reciclagem.

“Depois que eles perceberam que a questão é séria, verificaram que ninguém está aqui para explorá-los a gente conseguiu entrar com outros fatores”, disse o psicólogo Marcelo Ribeiro Moura, em sua entrevista. Marcelo ainda afirma que o projeto de capacitação foi e está sendo essencial nas negociações dentro do mercado, possibilitando aos cooperados um melhor nível econômico.

O projeto de capacitação está baseado no regimento interno da Cooperbrava numa forma de produção organizada, no qual regem três conselhos: administrativo, fiscal e ético. Na medida em que o regimento é aplicado entre os cooperados, chega o determinado momento de enxergar aqueles que podem atuar na linha de liderança que no primeiro instante é feita pelos técnicos do Pangea. Essa distribuição de liderança ocorre entre os próprios catadores. Eles são escolhidos por se destacarem entre os outros.

Hoje, os ex-catadores estão satisfeitos com a atual administração da Cooperbrava, exercida por Moisés Gil, “agora com essa nova administração o financeiro está mais equilibrado, mas de primeira era uma bagunça só, às vezes a gente ganhava R$ 60,00 ou R$ 90,00 por mês que não dava nem para comer, mas assim mesmo a gente sobrevivia”, afirmou a ex-catadora Domice dos Santos.

A possibilidade de se adquirir um plano de saúde ou até mesmo um financiamento para casa própria agora faz parte da realidade dos ex-catadores. Hoje, eles possuem uma conta no banco que permite a realização de transações comerciais e por sua vez o seu reconhecimento no meio social.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A IMPORTÂNCIA CULTURAL DE ODORICO TAVARES NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

O SURGIMENTO DO DIÁRIO
Fundado em 1875, pelo português, Manoel Lopes da Silva Cardoso, que chegou a Bahia depois de ser convidado por familiares que aqui já residiam, optou por criar um jornal de punho altamente noticioso.

Teve o seu primeiro exemplar publicado com a data de 20 de março de 1875, no valor de 60 réis, onde achava-se à venda nos seguintes lugares: Plano Inclinado, Elevador da Conceição, Elevador do Taboão, Encadernação Vicente, Armazém dos Srs. Domingos Antônio da Costa, Loja Fausto, Loja Boa Esperança, Armazém da Fonseca.

Com sede situada à rua Lopes Cardoso, nº 20, trazia como diretor-presidente, Antônio Baletino e seu substituto, Eládio Velloso, o seu redator-principal, Edgard Pitangueira e o seu secretário, Luiz Pereira, gerente, Dário Dultra e o chefe de publicidade, João Magalhães Braga. Sem filiação partidária, em pleno século XIX - época em que a maioria dos jornais apoiava uma política partidária, o Diário de Notícias, mantia-se afastados dos assuntos políticos. Por possuir essa característica de neutralidade na política atraia muitos leitores.

De periodicidade vespertina, o Diário era formado por quatro páginas de excelente conteúdo. Na sua capa, trazia notícias de economia, política e problemas sociais, a página dois era constituída por um rico conteúdo cultural que trazia informações do cinema Hollywoodiano, a evolução dos movimentos teatrais que estavam acontecendo na cidade do Rio de Janeiro naquela época, os horários dos programas de rádio dos Estados Unidos da América – traduzido para o português e transmitidos em ondas curtas, horários dos cultos religiosos além de muitas propagandas publicitárias.

ODORICO TAVARES

Odorico Montenegro Tavares da Silva, nascido em 26 de julho de 1912 na cidade de Timbaúba, Pernambuco. Onde se formou em Direito em 1935, pela Faculdade de Direito de Recife.

Portador de um acentuado lirismo mergulhou na poesia, na literatura e nas artes. Porém, foi pelo jornalismo que se apaixonou.

Sua carreira no jornalismo teve inicio no Diário de Pernambuco, que pertencia ao grupo Diários Associados. Foi diretor da revista literária Momentos, em 1933, juntamente com o jornalista Aderbal Jurema, no qual publicou 26 poemas.
Em 1942, por convite de Assis Chateaubriand – diretor do Diários Associados – veio para a Bahia. Como incentivador das artes, organiza a primeira exposição de arte moderna brasileira na Bahia reunindo obras de artistas como Lasar Segall, José Pancetti, Di Cavalcanti, Tarsila de Amaral e Alfredo Volpi.

Na década de 50, incentivou a criação da Sociedade de Cultura Artísticas da Bahia, no qual deu inicio a comercialização de artes plásticas em Salvador. Além de fundar em 1960, a primeira emissora de televisão da Bahia, a TV Itapoan.

Já em 1967, o governo do Estado institui o Prêmio Odorico Tavares para artistas plásticos em comemoração aos 25 anos de sua permanência na cidade.

Com grande interesse nas artes plásticas, arte sacra e na arte popular, em 1971, é eleito para Academia Baiana de Letras.

Sua trajetória como jornalista e grande incentivador das artes, terminou em 1980, quando sofreu uma parada cardíaca. Odorico Tavares irá permanecer em nossa admiração porque trouxe consigo a predominância de jovens artistas e poetas consagrados para a cultura baiana.

ODORICO TAVARES E O DIÁRIO DE NOTÍCIAS

De propriedade e sob a direção de Altamirando Requião, em 1919, o Diário de Notícias atravessou momentos de grande vibração durante o período da política estadual. Motivo pelo qual uniu-se ao grupo Diários Associados.

Em 1942, com a chegada de Odorico Tavares, a convite de Assis Chateaubriand para dirigir a rede dos Diários Associados da Bahia, o Diário de Notícias passou a ser sob a sua direção. Além do Diário de Notícias faziam parte dos Diários Associados da Bahia o jornal vespertino O Estado da Bahia e a Rádio Sociedade.

Sendo o jornalismo a atividade que mais exige de quem a escolhe, o Diário de Noticias seria o veículo de que se valeriam às energias interiores de Odorico, para a realização de um destino - a troca da advocacia para o jornalismo.

Jornalista que não aceitava a neutralidade entre a liberdade e a opressão, Odorico Tavares, deu ao Diário de Noticias uma nova aparência. De vespertino passou a ser matutino e de pesadão passou a exibir uma leveza.

No momento em que os meios culturais se preocupavam em promover algo de novo, Odorico surpreendeu a imprensa baiana com o aparecimento do Suplemento de Cultura do Diário de Notícias, que editado semanalmente trazia diversos artigos sobre a vida cultural e artística da Bahia, dando destaque para as artes plásticas, no qual conquistará e ganhará mais prestigio dos seus leitores.

A grande parceria de Odorico Tavares e o Diário de Notícias, trouxe aos suplementos dominicais que marcaram época sob a sua direção, a predominância da cultura baiana, sobretudo, para jovens artistas e os grandes poetas consagrados.
Bibliografia:
  • TAVARES, Luís Guilherme Pontes (Org.). Apontamentos para a História da Imprensa na Bahia. Salvador: Academia de Letras da Bahia; Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, 2005.
  • ROCHA, Carlos Eduardo da; FILHO, Codofredo; LINS, Wilson; CASTRO, Renato Berbert de. Odorico Tavares. Salvador: Conselho Estadual de Cultura, 1981.
  • SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1942. Ano LXVII, Jan. 10.
  • SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1942. Ano LXVII, Mar. 26.
  • SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1971. Ano XCV, Fev. 09.
  • SALVADOR. Biblioteca Central de Salvador. Diário de Notícias. Salvador, 1971. Ano XCV, Fev. 07.

"A tribo jornalística – uma comunidade interpretativa transnacional"

No livro “Teorias do Jornalismo: a tribo jornalística uma comunidade interpretativa transnacional”, lançado em 2005, ano em que os jornais impressos começaram perder os seus leitores para a Internet. Traquina, tem como principal objetivo de alcançar um nível elevado na compreensão no estudo teórico das práticas jornalísticas.

No periódico, o autor revela o poder do jornalismo e dos jornalistas, seus mitos, sua tribo, suas “estórias”, o fator tempo, enfim, o poder persuasivo que este profissional possui.

Definições, concepções são apenas fórmulas que por meio de palavras, jornalistas tentam explicar o que é noticia. Partindo desse ponto surge a teoria do jornalismo, que reúne idéias que dão base ao conhecimento puramente especulativo e a uma visão a respeito de aspectos da realidade social.

Na construção da noticia é importante destacar a teoria do agendamento fundamental na relação e seleção dos fatos que possam virar noticias. Na concepção do autor “a teoria do agendamento sublinha uma forte mudança no paradigma dominante da teoria dos efeitos dos medias e significa uma redescoberta do poder do jornalismo não só para selecionar os acontecimentos ou temas que são noticiáveis, mas também para enquadra estes acontecimentos e/ ou temas”. Este enquadramento da uma noção de inclusão, integração e limitação do que se quer noticiar, ou seja, uma maneira de se organizar os acontecimentos. Como assegura Tuchman (1976: 94) apud Traquina, “a notícia, através dos seus enquadramentos, oferece definições da realidade social; conta ‘estórias’”.

O contar ‘estórias’ dos jornalistas não fica apenas em desenvolver uma narrativa de ficção, mas uma forma preferencial de se referir às notícias, que por suas vez, são relatos de fatos atuais e de interesse público, mas que não deixam de ser ‘estórias’.

Tudo isso acontece em meio de um campo denominado “campo jornalístico”, no qual se desenvolveu no período do capitalismo durante o século XIX, incluindo, a industrialização, a urbanização e o desenvolvimento tecnológico. A partir de então, o jornalismo passou a ser considerado como uma profissão.

Com o processo de profissionalização do jornalismo, a sociedade e até mesmo os próprios profissionais da área, passaram a exigir mais do seu próprio caráter profissional, ou seja, um profissional mais competente capaz de exercer com valor a sua profissão.

Os jornalistas defendem a independência e a autoridade, como sua ideologia, ideologia que segundo Bourdieu (1996:11) apud Traquina, “cada profissão produz uma ideologia profissional, uma representação mais ou menos idealista e mítica de si mesma”. As suas idéias e convicção são próprias de uma época, época esta que determina o seu modo de pensar e a sua visão perante a sociedade, ou seja, o encontro da sua “identidade profissional”.

Podemos verificar a “identidade profissional” dentro de uma tribo, denominada pelo autor, como: “a tribo jornalística”, na qual, vive uma comunidade que defendem os mesmos propósitos e compartilham os mesmo ideais, como por exemplo, o ato de partilhar as informações, ou noticias. Diante desse ato de dividir as informações, Traquina, apresenta o seguinte pensamento: “Uma das conseqüências de um ‘pensamento de grupo’ comum é aquilo a que se chama ‘jornalismo em pacote’, isto é, os fenômenos freqüentemente observados de uma legião de jornalistas cobrindo a mesma história da mesma maneira”. Além disso, “(...) a nossa hipótese é que os jornalistas são uma comunidade ou tribo interpretativa transnacional, e que a cobertura noticiosa em países diferentes revela semelhanças significativas (...)”.


SER OU NÃO SER JORNALISTA? EIS A QUESTÃO

Foi no século XIX, em uma sociedade democrata, que o jornalismo passou a ser considerado como uma profissão. A partir de então, o profissional desta área – o jornalista – passou a ter um novo objetivo, ou uma nova meta, de levantar, apurar e transmitir noticias e comentários dispostos em diversos veículos e meios de comunicação, como: jornais, revistas e TV. Durante esse mesmo período, os jornais começaram a apresentar uma grande margem de lucro, significando um o aumento na distribuição de seus exemplares, tendo como base às notícias e não as propagandas.

Com o reconhecimento da profissão do jornalista, as notícias, passaram a serem consideradas como mercadorias, ou seja, a comercialização de informações – alvo principal da imprensa. Segundo Traquina essa situação se deu a partir da “(...) constituição de um novo grupo social – os jornalistas – que reivindica um monopólio do saber – o que é notícia; e a comercialização da imprensa – a informação como mercadoria (...)”.
Mas o que venha ser esse “monopólio do saber?” O conhecimento, a compreensão e as técnicas da notícia ficaram restritas e sob controle exclusivo dos jornalistas, ou seja, o fazer notícias ficou de pura e inteira responsabilidades de um profissional especializado na arte de fazer notícia.
A arte de fazer notícia de modo direto e objetivo, sem rodeios, buscando uma compreensão imediata, caracteriza uma das diversas identidades do “que é ser jornalista”. Na verdade esse profissional é caracterizado por infinitos adjetivos no qual se enquadra uma cultura indefinida de valores e rica em conhecimentos sócio, cultural e econômico, “(...) em que é claramente esboçada uma identidade profissional, isto é, um ethos, uma definição da maneira como se dever se (jornalista)/ estar (no jornalismo)”.

Tempo fator e condição em que o jornalista é submetido para produzir a sua notícia, além de ser uma competência que define o seu caráter profissional. É ele que define o fechamento das noticias. Dia, horas e segundos marcam os acontecimentos, no qual, o jornalista deve está sempre atento, isso permite que o mesmo tenha me mãos notícias que são consideradas como “quentes”, em seu meio profissional. “A compreensão do sistema de produção que dá origem às notícias aumenta quando o fator tempo é realçado”. Achlesinger (1993:178) apud Traquina.

Com a capacidade de reconhecer uma notícia, saber como proceder e por fim saber descrevê-la – narrar, os jornalistas possuem um pleno poder de criar e desfazer situações ao mesmo tempo em que lhe é permitido fazer dessas situações um espetáculo midiatico.

Com uma maneira de agir, de falar e de um modo de ver as coisas diferentes, faz do ser jornalista um profissional com um papel fundamental na formação social de uma nação. Servir ao público não é meramente fazer a notícia, mas proteger e denunciar, os inocentes e os injustos, publicar fazendo com que a sociedade esteja a par da situação social do seu país. Portanto, “ser jornalista é saber não só elaborar a notícia: é ter uma perspicácia profissional, possuir uma ‘perspicácia noticiosa’”.

BIBLIOGRÁFIA:
TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo. A tribo jornalística – uma comunidade interpretativa transnacional. Florianópolis: Insular, 2005. 13-60p.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

ARTE ROMÂNICA

Arquitetura derivada da Roma Antiga, a arte românica foi desenvolvida na Europa Ocidental nos séculos XI e XII. Uma arte séria, maciça, que predominou em toda Roma.
O requinte da arte bizantina, típica do Império Romano e a violência significativa dos bárbaros deixaram como sinal a arte românica, marcada pela fé características que se pode observar na construção de igrejas, torres, batistérios.
As primeiras pinturas românicas são de artistas desconhecidos e de tema religioso. Aparecem como afrescos e mosaicos, com muita cores, misturas com púrpuras, nos painéis e decorações das igrejas. Estas por sua vez, surgem quase sempre numa praça e que é o centro da comunidade civil, religiosa e social da cidade, local de encontro, por isso uma das características principais das igrejas românicas é o seu tamanho.
As estatuas tinham como função de preencher os espaços vazios dos jardins e grandes salões, eram formadas de figuras humanas e monstros imaginários que surgiam da mente dos escultores.
Suas principais características são:
Paredes grossas, profusão de cúpulas, colunas e arcos;
Janelas altas no centro e nas laterais janelas baixas;
Arcos e abóbadas;
Arquitetura rica e cheia de beleza.

ARTISTAS E OBRAS

A Torre de Pisa
Construída a partir do ano de 1174, toda em mármore branco, com 56 metros de altura, pelo arquiteto Bonanno Pisano. Localizada na região da Toscana, na Itália, a Torre de Pisa é bastante conhecida pela sua inclinação no sentido perpendicular devido ao terreno que estava cedendo.
La Pietà
Localizada na Basílica de São Pedro, Vaticano, La Pietá é uma das primeiras obras do escultor Michelangelo. Datada do período de 1498-1499, toda feita em mármore, representa Maria com Cristo morto em seus braços.
Galeria de Cantores
Luca Della Robbia, escultor italiano nascido em Florença. Suas obras ficaram conhecidas pela sua sensualidade e pureza, uma delas está localizada na sacristia da Catedral de Florença. Construída em 1431 a Galeria de Cantores é toda feita em mármore representada por um grupo de meninos cantores, dançarino e tocadores de harpas e tropetes.

ASSÉDIO MORAL: UMA VIOLÊNCIA NO ÂMBITO DO TRABALHO


“Fui taxado como incompetente perante todos os meus colegas de trabalho”, revelou o técnico em informática Paulo Casais, que foi forçado a pedir demissão logo após o episódio. Caracterizado por agressões, o assédio moral no trabalho é uma violência que vem causando diversos danos psíquicos a milhares de trabalhadores no mundo inteiro. O assunto é polêmico, por se tratar da relação desumana e autoritária entre superiores e subordinados. No Brasil, o assédio moral tornou-se tema de discussões em sindicatos e até mesmo encontrou espaço no Poder Legislativo, depois de um estudo realizado pela Dra. Margarida Barreto, pesquisadora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), intitulado de “Uma jornada de humilhações”.
A pesquisa realizada no ano de 2000, em 97 empresas de São Paulo, mostra que, das 2.072 pessoas entrevistas, 870 apresentaram quadros de humilhações em seu ambiente de trabalho, sendo que, as mulheres são as mais atingidas representando um percentual de 65% dos entrevistados.
O advogado trabalhista Djalma Nunes Fernandes Júnior afirma, que “o ambiente de trabalho, nas mais das vezes, sempre foi um campo fecundo para maus-tratos, para desrespeito à pessoa física do empregado etc. Hodiernamente começou a aflorar em maior número os casos de perseguição organizada ao empregado, tornando-se cada vez mais escassa a boa vontade entre os colegas, transformando a localidade em um verdadeiro campo de guerra”. O abuso de poder e a manipulação do medo revelam o desespero do trabalhador em perder o seu emprego e não voltar ao mercado de trabalho, favorecendo a submissão e a tirania. Gestos, condutas abusivas e constrangedoras, são uma das fases humilhantes, que trazem como conseqüência, o comprometimento da saúde, sentimento de inutilidade, a falta de prazer no trabalho e até mesmo a demissão forçada e o desemprego.
Na Bahia, o Projeto de Lei nº 12.819/2002, ainda em tramitação, busca com a orientação e apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), melhorias nas condições de trabalho. Segundo o bacharel em direto Marcelo Lyrio, o projeto dispõe no assédio moral na esfera administrativa pública direta e indireta, tudo isso com o intuito de combater a violência que tanto agride a relação de trabalho.
A vitima do assédio pode buscar apoio nos Centros de Referência em Saúde dos Trabalhadores (CEREST), Comissão de Direitos Humanos e dos Núcleos de Promoção de Igualdade e Oportunidades e de Combate a Discriminação, em matéria de Emprego e Profissão, que existem nas Delegacias Regionais do Trabalho.
PROJETOS DE LEI ENGAVETADOS - Assim, como o Projeto de Lei nº 12.819/2002, que trata do assédio moral, dezenas de projetos criados no ano de 1996 e posterior a essa data, encontram-se engavetados, aguardando o julgamento e aprovação pela Câmara dos Deputados.
O Senado, um dos órgãos incumbido de julgar e aprovar os projetos de lei, com base nos interesses do Estado e do Distrito Federal, no qual é composto por senadores, cria certa polêmica em torno do assunto, causando o adiamento da aprovação. Com tudo, projetos não entram em vigor devido ao descaso do próprio governo, que, em sua maioria, se apropria dos projetos para serem utilizados no jogo político, ou seja, são julgados aqueles projetos de iniciativa de políticos que têm maior influência e poder dentro do senado.
Segundo Gabriel Mendes Mascarenhas, estudante de direito do 7º semestre, “se a câmara faz o projeto, o senado revisa e manda para sanção do presidente, mesmo que este último não sancione o presidente do senado pode fazê-lo. Quando é o senado a casa que propõe o projeto de lei, a câmara vira casa revisora”. O mesmo ainda comenta que, que existe muito descaso, ao regulamentar uma lei sobre o assédio moral, os legisladores, geralmente grandes empresários, pode estar criando uma arma contra si.
Representantes de movimentos sociais, como a Central Única dos Trabalhadores – CUT, com intuito de representar a sociedade e suas dificuldades, se reúnem pela defesa dos seus interesses diante a Câmara dos Deputados e Senado, para discutir e aprovar alguns projetos de lei que pretendem a regulamentação da melhoria dos direitos humanos.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

UMA NOVA POLÍTICA NA ERA DAS MÍDIAS

O livro Estratégia retórica e ética da argumentação na propaganda política, de Wilson Gomes da Silva, aborda os aspectos de uma nova propaganda política após o regime militar. Desde então, com seu poder persuasivo, a mídia vem enquadrando a política dentro da sua lógica, formulando novos conceitos de exibição e impondo regras para a sua divulgação em meio público. Relata também a apresentação da publicidade política como uma ferramenta na arte de convencer, utilizando o estado emocional da sociedade de massa. Além disso, as mensagens transmitidas pelos meios possuem características que interagem na personalidade do público a ser atingido.
Com o poder da propaganda política nas mãos, a mídia vem impondo as suas normas revelando apenas aquilo que é do seu interesse, deixando os cidadãos restritos as suas informações. Contudo, a publicidade que é essencial para tornar algo conhecido e aceito pelo público, vem sendo impedido de exercer a sua função, devido a forma restrita de discursão de grupos de profissionais da área política imposta pela mídia.
De outra forma, durante o período eleitoral, a mídia é o principal meio de comunicação entre o eleitor e o candidato, através dela são divulgadas as idéias e opiniões das atividades. São nos debates em meios televisivos que o candidato estabelece uma interação direta e indireta com os seus eleitores, possibilitando troca de conhecimentos relativos ao processo eleitoral, outro exemplo a ser dado é o showmisseo que para conquistar a audiência de um grande números de pessoas utiliza artistas populares.
Passamos então a observar a mudança da propaganda política tradicional em publicidade política, tornando-se um processo pelo qual a política passou a ser um espetáculo mídiatico, perdendo a sua essência, ou seja, o seu traço fundamental de apresentar idéias e planos administrativos para organização de um Estado.
Ao passo que a propaganda política tradicional detinha a mídia nos seus princípios, a nova propaganda política mantém a política enquadrada dentro das suas normas. Além disso, os meios de comunicação são organizações cujas atividades são de interesse público, por fornecer uma grande variedades de informações e entretenimento, logo a exposição das mensagens enviadas são de fácil aceitação no mercado. Em virtude disso, a propaganda política rendeu-se as regras e lógicas da comunicação, além de adaptar-se as suas linguagens e técnicas. Conseqüentemente as empresas de publicidade e marketing tiveram que mudar a sua direção na publicidade comercial. Diante disso, vários especialistas na área de comunicação passaram a ter um grande domínio sobre a atividade política.